Entre modismos alimentares, dietas restritivas e a busca constante pelo corpo ideal, muitas pessoas ainda acreditam que emagrecer significa abrir mão de tudo aquilo que gostam de comer. Mas, segundo a nutricionista Heloísa Tavares, o caminho para resultados duradouros está longe do radicalismo.

“Pode comer de tudo, mas em quantidades corretas”, afirma a especialista, defendendo uma abordagem equilibrada e possível de ser mantida na rotina real dos pacientes.
Para ela, o grande erro das dietas tradicionais está justamente nas proibições extremas, que até podem funcionar no início, mas dificilmente se sustentam ao longo do tempo. “O radicalismo funciona a curto prazo. A pessoa adere por uma ou duas semanas, no máximo um mês, e depois enjoa”, explica.

A nutricionista destaca que o foco do acompanhamento nutricional moderno é entender o estilo de vida de cada pessoa e ensinar escolhas inteligentes dentro da realidade individual. “A grande sacada é entender o paciente e, dentro da vida cotidiana dele, ensinar a fazer boas escolhas”, diz.

Outro ponto frequentemente demonizado nas dietas é o carboidrato. Heloísa reforça que o nutriente não deve ser tratado como inimigo, mas sim consumido com estratégia. “O carboidrato não é tão vilão. Existem horários e tipos mais saudáveis, mas o que a gente precisa é priorizar a proteína”, orienta.

Segundo ela, a ingestão adequada de proteínas contribui para maior saciedade, disposição e qualidade de vida a longo prazo. “Quando eu priorizo a proteína na dieta, eu tenho mais saciedade, evito problemas na terceira idade e ganho qualidade de vida”, afirma.

Durante a conversa, a especialista também comentou sobre a crescente popularidade das canetas emagrecedoras, tema que vem gerando dúvidas entre pacientes. Heloísa ressalta que o uso dessas medicações exige acompanhamento profissional, já que um dos efeitos possíveis é a perda de massa muscular.
“O ideal é que a pessoa tenha orientação. O uso do medicamento precisa ser avaliado pelo médico e associado a uma dieta com quantidade correta de proteína”, explica.

Ela alerta ainda que o número exibido na balança nem sempre representa um emagrecimento saudável. “O peso é uma variável. A pessoa perde 10 quilos, mas perdeu em gordura ou em massa muscular? São coisas diferentes”, pontua.

De acordo com a nutricionista, quando há perda excessiva de músculo, o resultado costuma ser o temido efeito sanfona. “A gente quer que a pessoa perca peso em massa gorda, não em músculo, porque a perda muscular favorece o efeito sanfona”, destaca.

No dia a dia do consultório, Heloísa observa que o maior desafio não está necessariamente nos doces ou nos exageros ocasionais, mas na falta de entendimento sobre o que realmente é saudável. “As pessoas sabem o que é certo e errado, mas muitas não sabem fazer boas escolhas”, afirma.

Ela cita exemplos comuns: alimentos considerados saudáveis que, quando consumidos em excesso ou no horário errado, podem prejudicar o equilíbrio metabólico. “Granola é saudável, mas tem açúcar e carboidrato. Açaí é calórico. Tudo depende da quantidade e do momento do consumo”, explica.
Até mesmo o tradicional suco natural entra na discussão. “Quem em sã consciência come seis laranjas de uma vez? No suco, a pessoa consome tudo isso sem perceber”, alerta.

Para Heloísa, o verdadeiro segredo da alimentação saudável está no controle da glicemia ao longo do dia. “A grande questão é controlar a glicemia. A fruta deve vir associada a uma gordura ou proteína para evitar picos glicêmicos”, orienta.

Ela explica que pequenas combinações, como frutas acompanhadas de iogurte ou castanhas, ajudam a tornar a digestão mais lenta e equilibrada. “Hoje, a grande sacada é saber controlar a glicemia no dia a dia”, conclui.
A mensagem final da nutricionista é simples, mas poderosa: mais do que seguir regras rígidas, aprender a comer de forma consciente é o que realmente transforma a relação com a alimentação e garante resultados que permanecem muito além da balança.

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