O número de famílias brasileiras que buscam cães de alerta médico e cães de assistência cresce de forma consistente em território nacional. Esse movimento acompanha uma transformação global na forma como a sociedade enxerga a saúde, o bem-estar emocional e a inclusão. “Vivenciamos uma nova ordem mundial em que cães passam a ser muito mais que parceiros, eles salvam vidas. O maior mal do século está na cabeça e isso é comprovado devido ao aumento de casos de TDAH, autismo, depressão, epilepsia e diabetes, esta última atingindo cerca de 17 milhões de brasileiros”, afirma Marcos Nishikawa, um dos nomes mais respeitados na criação de cães hoje no mundo.
Com mais de 30 anos de experiência na cinofilia, que é o estudo, a criação responsável e o aperfeiçoamento das raças caninas, focando no bem-estar, comportamento, genética e padrões físicos, Marcos Nishikawa é pioneiro na criação de Golden Retrievers no país e de outra raça mais famosa lá fora, a Golden Doodle (na foto).
Atualmente, cães de assistência e de alerta médico ganham protagonismo, assim como ocorreu no passado com cães-guia para deficientes visuais, cães de apoio à mobilidade e cães utilizados por veteranos de guerra com estresse pós-traumático. “Percebemos que em um cenário marcado pelo aumento de transtornos neurológicos, doenças crônicas e desafios de saúde mental, os cães deixam de ser apenas companheiros para se tornarem verdadeiras ferramentas assistivas, capazes de salvar vidas e promover autonomia”, declara Marcos.
Reconhecido nacional e internacionalmente, seu canil acumula títulos e campeões dentro e fora do país sendo que ele, mais do que ninguém, acredita que o futuro da cinofilia vai além das pistas de exposição. “Ele acredita que a chamada ‘nova ordem mundial’ aponta quais raças tendem a se destacar: aquelas com vocação natural para servir ao ser humano, como as Golden que já citei”.
Dentro dessa visão de desenvolvimento, Nishikawa destaca o Goldendoodle, raça resultante do cruzamento entre Golden Retriever e Poodle. Segundo ele, os resultados obtidos são extremamente promissores, especialmente no campo da assistência e da terapia. “A combinação reúne o melhor de duas raças altamente reconhecidas: promovendo inteligência e treinabilidade, características marcantes do Poodle que são mescladas com docilidade, sensibilidade emocional e desejo de agradar, típicas do Golden Retriever”.
O resultado é um cão com grande capacidade de aprendizado, adaptação e vínculo humano qualidades essenciais para funções de alerta médico e assistência. Mas é claro que, para que haja sucesso, é preciso investir em um treinamento especializado e um dos maiores nomes dessa função é Glauco Lima, afinal, são 35 anos dedicados a essa paixão dos quais pelo menos 12, são exclusivos para treinamento de cães de alerta médico e assistência.
“Não basta a família escolher a raça certa: é fundamental que haja critério na seleção do filhote, por isso, elencamos uma série de cuidados para que a parceria floresça bons frutos em futuro próximo”, explica Glauco. Ele ressalta que, embora o Goldendoodle tenha fama internacional especialmente nos Estados Unidos, onde é amplamente utilizado por organizações de cães de serviço, com foco em crianças dentro do espectro autista, o sucesso depende de um processo rigoroso desde o início.
Segundo o treinador, o criador deve trabalhar em conjunto com um especialista em cães de assistência ou alerta médico para selecionar o filhote ideal, avaliando temperamento, resiliência emocional e potencial de trabalho. Adquirir “qualquer filhote”, sem critérios, é um erro que compromete todo o projeto sendo que é preciso alertar que o processo não termina na escolha do cão. “A segunda fase consiste em compreender profundamente a necessidade da família e da pessoa assistida. Isso é feito por meio de entrevistas e reuniões, que permitem a criação de um verdadeiro mapa de execução do treinamento individualizado”, detalha Glauco.
Outro ponto crucial é o tempo. O filhote não deve ser inserido imediatamente na rotina familiar. “Em muitos casos, o ideal é que o cão passe de um ano e meio a dois anos em treinamento, antes da integração definitiva, aumentando significativamente as chances de sucesso no chamado match o encontro perfeito entre cão e família. Um exemplo comum de falha ocorre quando um filhote é entregue diretamente a uma família com uma criança que apresenta crises de agressividade ou comportamentos intensos, sem que o cão tenha sido previamente dessensibilizado para esse tipo de estímulo. O resultado pode ser o desenvolvimento de medos, aversividade e frustração, fazendo com que toda a expectativa construída se perca”, alerta o especialista.

