A menopausa é um marco natural na vida da mulher. Mas o que muitas ainda não sabem é que essa fase vai muito além do fim do ciclo menstrual. Ela representa também um período decisivo para a saúde do coração e ignorar esse fato pode custar caro no futuro.
De acordo com a Dra. Bruna Simões, médica que atua com um olhar atento e atualizado sobre a saúde feminina, a menopausa está diretamente associada a um aumento significativo do risco de doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, principais causas de morte entre mulheres no mundo.

“Durante a transição hormonal, o corpo feminino passa por mudanças profundas. O metabolismo se altera, os vasos sanguíneos perdem parte da proteção natural do estrogênio e o controle do colesterol e da glicose se torna mais difícil”, explica a especialista.
O que muda no organismo feminino nessa fase
Com a queda dos hormônios, especialmente do estrogênio, tornam-se mais comuns quadros como:
• aumento da pressão arterial
• ganho de peso, principalmente abdominal
• resistência à insulina e diabetes
• inflamação crônica
• alterações no colesterol
O mais preocupante, segundo estudos recentes, é que muitas mulheres começam a desenvolver placas de gordura nas artérias justamente nesse período, mesmo sem apresentar sintomas aparentes.
“Chamamos a menopausa de uma verdadeira janela de oportunidade para a prevenção cardiovascular. É o momento ideal para identificar riscos e agir antes que o problema apareça”, destaca a Dra. Bruna.
Reposição hormonal: aliada ou vilã?
A terapia de reposição hormonal é amplamente conhecida por aliviar sintomas como fogachos, insônia, alterações de humor e queda da qualidade de vida. No entanto, ela ainda gera muitas dúvidas e até medo entre as mulheres.
A Dra. Bruna faz um alerta importante: nem toda reposição hormonal é igual.

“No passado, eram usados hormônios sintéticos por via oral (estrogênio equino combinado- CEE e acetato de medroxiprogesterona- MPA),que nao usamos na atualidade. Esse tipo de hormonio foi associado ao aumento do risco cardiovascular, principalmente em mulheres mais velhas ou que já estavam há muitos anos na menopausa”, explica.
Com o avanço da medicina, surgiram opções mais seguras e eficazes. Hoje, as formulações com estrogênio por via transdérmica (adesivos ou gel) associadas à progesterona natural apresentam um perfil muito mais favorável para o coração, especialmente quando indicadas no início da menopausa e para mulheres bem avaliadas.
Tratamento personalizado: o ponto-chave da segurança
Um dos pilares do trabalho da Dra. Bruna Simões é o cuidado individualizado. Para ela, não existe protocolo pronto quando o assunto é menopausa.
“Cada mulher tem uma história, um corpo e fatores de risco diferentes. Antes de qualquer decisão, é indispensável uma avaliação completa que inclua idade, histórico familiar, pressão arterial, colesterol, glicemia e estilo de vida”, afirma.
Essa análise cuidadosa permite indicar ou não a reposição hormonal, sempre com foco em segurança, benefícios reais e prevenção a longo prazo.
Prevenir ainda é o melhor remédio
A reposição hormonal pode ser uma grande aliada, mas não atua sozinha. Segundo a especialista, hábitos saudáveis continuam sendo fundamentais para proteger o coração durante e após a menopausa.
Alimentação equilibrada, atividade física regular, sono de qualidade, controle do peso e acompanhamento médico periódico fazem toda a diferença para uma vida mais longa, ativa e saudável.
Informação transforma o cuidado
A menopausa não precisa ser encarada como um fim, mas como o início de uma nova fase mais consciente, mais cuidadosa e mais conectada com o próprio corpo.
Com informação de qualidade, acompanhamento médico e estratégias de prevenção, é possível reduzir significativamente os riscos cardiovasculares e viver essa etapa com saúde, bem-estar físico e equilíbrio emocional.
“Cada mulher é única. E o cuidado com a saúde também deve ser”, finaliza a Dra. Bruna Simões.

