Considerado uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo, o glaucoma ainda é uma doença cercada por desinformação e diagnósticos tardios. Muitas pessoas convivem com o problema por anos sem apresentar sintomas evidentes, o que torna o acompanhamento oftalmológico regular um fator decisivo para a preservação da visão.
De acordo com a oftalmologista Dra. Daniela Faria, médica formada pela UFMG, especialista em glaucoma e com mais de 20 anos de experiência clínica, o glaucoma é uma doença que afeta diretamente o nervo óptico — estrutura responsável por levar ao cérebro as imagens captadas pelos olhos. “O nervo óptico funciona como um cabo de transmissão. Quando ele sofre dano, essa comunicação é comprometida, e a visão começa a falhar”, explica.
O principal fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma é o aumento da pressão intraocular. Essa pressão elevada pode lesar progressivamente o nervo óptico, muitas vezes sem causar dor ou desconforto. “Esse é um dos grandes perigos do glaucoma. Ele é silencioso. O paciente não sente nada no início e só percebe quando já houve uma perda visual significativa”, alerta a especialista.

A progressão da doença costuma começar pela visão periférica. Aos poucos, o campo visual vai se estreitando, como se a pessoa estivesse enxergando por um túnel. Em estágios mais avançados, o comprometimento chega à visão central, impactando diretamente atividades essenciais do dia a dia, como leitura, direção e reconhecimento de rostos. “Quando o paciente percebe que está esbarrando mais nas coisas ou tem dificuldade para enxergar pelos lados, muitas vezes o glaucoma já está em fase avançada”, afirma Dra. Daniela.
Apesar de ser uma doença crônica e sem cura, o glaucoma pode ser controlado com sucesso quando diagnosticado precocemente. A boa notícia, segundo a oftalmologista, é que a redução da pressão intraocular é eficaz para impedir a progressão do dano ao nervo óptico. “Quando identificamos o glaucoma no início e conseguimos controlar a pressão ocular, é possível preservar a visão e evitar perdas futuras”, destaca.
O tratamento pode envolver o uso de colírios, procedimentos a laser ou cirurgia, dependendo do tipo de glaucoma e da resposta do paciente. O objetivo é sempre o mesmo: proteger o nervo óptico. “Não se trata apenas de baixar a pressão, mas de estabilizar a doença e manter a qualidade de vida do paciente ao longo dos anos”, explica a médica.
Dra. Daniela reforça que pessoas com histórico familiar de glaucoma, idade acima dos 40 anos, diabetes, hipertensão ou que fazem uso prolongado de corticoides devem redobrar a atenção. “Esses grupos precisam de acompanhamento regular, mesmo que enxerguem bem. No glaucoma, enxergar bem hoje não significa que o nervo óptico esteja saudável”, ressalta.
Para a especialista, a conscientização ainda é o maior desafio. “O glaucoma não avisa. Por isso, o exame oftalmológico periódico é a principal forma de proteção. Diagnóstico precoce é sinônimo de visão preservada”, afirma.

Em um cenário em que o glaucoma continua sendo uma ameaça silenciosa à saúde ocular, a informação e o cuidado preventivo se tornam aliados indispensáveis. Consultas regulares com o oftalmologista seguem sendo a melhor estratégia para detectar a doença a tempo e garantir que a visão seja mantida ao longo da vida.

