A psicóloga infantil Ana Arruda tem se dedicado a transformar vidas por meio do fortalecimento do vínculo entre crianças e seus pais. Sua trajetória profissional foi inspirada pela própria experiência pessoal:
“Ter passado pela terapia enquanto criança e ter visto a diferença que aquilo fez na minha história e na da minha família me fez querer ser isso para outras famílias”, relembra.
Hoje, atuando em consultório, Ana afirma que seu maior propósito é ser uma boa lembrança na infância dos pequenos:
“Meu sonho sempre foi fazer a diferença na vida de alguém e proporcionar transformações que durem para sempre”.
Durante sua formação, Ana sentiu que cada estudo e aprendizado sobre a infância confirmavam que estava no caminho certo. O encantamento ao perceber a confiança genuína das crianças e a alegria dos pais diante das mudanças no comportamento dos filhos fortaleceram sua decisão.
“Ver crianças confiando em mim, fortalecer elas e ver as transformações acontecendo não tem preço”, afirma.
Com a prática clínica, Ana percebeu que muitas dificuldades enfrentadas pelas crianças estão ligadas à falta de conexão no ambiente familiar. Segundo ela, os pais, na busca de oferecer o que não tiveram na infância, acabam esquecendo de dar aquilo que tiveram, como presença, afeto e atenção.
“As rotinas estão tão corridas e os pais tão imersos no mundo adulto que se esqueceram do mundo infantil. Meu trabalho é ser um lembrete de que vínculos são importantes e de que brincar não precisa ser complicado. O simples ato de estar junto já ensina mais que qualquer palavra”, explica.
Entre os desafios mais comuns em seu consultório, Ana cita dificuldades em reconhecer, nomear e lidar com as próprias emoções. Isso acontece, em parte, porque muitos pais também não sabem como manejar suas emoções e, consequentemente, não conseguem dar o exemplo.
Além disso, cada vez mais crianças apresentam sinais fisiológicos e comportamentais de ansiedade, reflexo tanto do ritmo acelerado da sociedade quanto da ansiedade dos próprios pais.
Segundo a psicóloga, um dos maiores equívocos dos pais é minimizar os sentimentos dos filhos. Situações que parecem simples ou “bobas” para os adultos podem ter um peso enorme na vida de uma criança.
“O erro mais comum é pensar como adulto e não validar o que a criança sente. Muitas vezes, ignoram ou subestimam a dor dela, e isso gera ainda mais dificuldade na forma como lidam com as emoções”, alerta.
Para criar uma relação mais próxima e saudável, Ana sugere atitudes simples, mas poderosas: Ouvir sem julgamento, estar presente de corpo e alma, sem distrações como o celular, dedicar ao menos 10 minutos por dia exclusivamente à criança, validar sentimentos e mostrar interesse genuíno pelo que o filho pensa e sente.
“Dez minutos de atenção real valem mais do que um dia inteiro juntos, mas dividindo a atenção com o celular”, reforça.
Ana acredita que os desafios sempre existiram, mas se manifestam de formas diferentes conforme o contexto histórico. Hoje, segundo ela, há mais atenção e valorização da saúde mental infantil, o que dá a impressão de que as crianças sofrem mais do que no passado.
Porém, a psicóloga reconhece que o uso excessivo de telas tem impactado de forma significativa, aumentando a irritabilidade, ansiedade e comparações prejudiciais.
Ana orienta que os pais estejam atentos a mudanças no comportamento dos filhos. Alguns sinais que indicam a necessidade de procurar ajuda profissional incluem: Isolamento social, mudança brusca de comportamento, queda no desempenho escolar, tristeza profunda, dificuldade de comunicação e interação, queixas físicas recorrentes, como dores de barriga e de cabeça sem causa especifica.
Na prática clínica, Ana utiliza principalmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que, segundo ela, tem grande eficácia por trabalhar tanto pensamentos quanto comportamentos.
Contudo, ressalta que o fator essencial é se conectar verdadeiramente com a criança
“O principal é entrar no universo dela, entender como pensa, sente e age. Quando a criança percebe que você está com ela e por ela, todo o trabalho flui melhor”.
Ana encerra com uma mensagem importante: a infância é um período único e insubstituível. Mais do que presentes ou conquistas materiais, o que marca a vida de uma criança é a presença e a conexão com os pais.
“Estar junto, brincar, olhar nos olhos e ouvir de verdade. Isso é o que deixa marcas positivas para toda a vida”, conclui.
